ENI ou Unipessoal: Comparador
Compare ENI e sociedade unipessoal com a conta completa de 2026: no ENI, IRS pelos escalões e Segurança Social de independente; na sociedade, IRC por escalões de PME, derrama municipal, salário do gerente com TSU e retenção pela tabela oficial, e dividendos a 28% ou por englobamento. O resultado é o líquido que chega ao bolso em cada via.

O comparador ENI ou Unipessoal coloca lado a lado, com as mesmas hipóteses, os dois enquadramentos mais comuns de quem trabalha por conta própria em Portugal: empresário em nome individual, tributado em IRS, e sociedade unipessoal por quotas, tributada em IRC. Quem procura por ENI ou unipessoal, o que compensa mais ou diferenças entre ENI e sociedade quer um primeiro mapa de números antes da conversa inevitável com um contabilista.
Resumo rápido
Como funciona: O ENI paga IRS pelos escalões sobre a faturação vezes o coeficiente e Segurança Social de independente; a unipessoal paga IRC de 15% e 19% sobre o lucro, TSU sobre o salário do gerente e imposto quando o lucro sai em dividendos.
Regra e valores: A peça que decide a comparação é a extração do dinheiro: salário do gerente com TSU de 23,75% e 11% e retenção pela tabela oficial de 2026, ou dividendos à taxa liberatória de 28% ou por englobamento de 50%.
Exemplo: Com 40.000 € de faturação e gerente a 1.500 € por mês: ENI líquido de 29.197,32 € no ano contra 19.376,59 € ao sócio da unipessoal; a conta antiga, só com IRC, apontava o vencedor errado.
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Como funciona
ENI em regime simplificado: coeficiente do artigo 31.º do CIRS (com a redução dos dois primeiros anos), coleta pelos escalões de 2026 e Segurança Social de 21,4% sobre 70% da faturação nos serviços, ou 25,2% sobre 20% nas vendas. Unipessoal: lucro depois de despesas, salário do gerente e TSU da empresa de 23,75%; IRC de 15% sobre os primeiros 50.000 € de matéria coletável das PME e 19% no excedente (artigo 87.º do CIRC, taxas de 2026), mais derrama municipal; o gerente paga 11% de Segurança Social e retenção pela tabela oficial de 2026, e os dividendos são tributados à taxa liberatória de 28% ou por englobamento de 50% (artigo 40.º-A do CIRS), conforme a via escolhida ou a melhor das duas.
Exemplo calculado
Com os valores pré-preenchidos (40.000 € de faturação, serviços com coeficiente 0,75, gerente com salário de 1.500 € por mês): o ENI deixa 29.197,32 € líquidos no ano; a unipessoal deixa 19.376,59 € ao sócio, entre salário líquido e dividendos por englobamento. Diferença de 9.820,73 € a favor do ENI neste cenário, porque o salário do gerente e os custos de estrutura consomem quase todo o lucro da sociedade. Com a conta antiga, só de IRC sobre o lucro, a sociedade parecia vencer: era a extração do dinheiro que faltava à comparação.
Como obter um resultado mais fiável
Use valores de documentos reais: recibo de vencimento, contrato de crédito, nota de liquidação, escritura ou fatura. Se um campo pedir uma taxa, copie a taxa do contrato em vez de usar uma taxa de publicidade. Está a comparar cenários? Mude um valor de cada vez e anote o que mudou.
Quando usar esta ferramenta
Use o comparador ao passar de recibos verdes ocasionais para atividade regular, ao ultrapassar escalões de IRS que doem, ou ao planear contratar e investir com outro nível de risco. A utilização certa é comparar cenários completos, incluindo o salário do gerente e os dividendos, e não apenas a taxa de IRC.
Como usar, passo a passo
- Indique a faturação anual, a atividade do ENI e o ano de atividade.
- Indique as despesas dedutíveis da sociedade em percentagem da faturação.
- Defina o salário mensal do gerente e a estratégia de remuneração: só salário, só dividendos ou misto.
- Escolha como tributar os dividendos e indique a derrama do seu município, a contabilidade anual e os custos de constituição.
- Compare o líquido anual que chega ao titular em cada via e a diferença entre elas.
Campos e resultados, explicados
Do lado do ENI, a faturação é tributada pelo coeficiente do artigo 31.º do CIRS e pela Segurança Social de trabalhador independente. Do lado da sociedade, entram as despesas, a contabilidade organizada, o salário do gerente com a TSU da empresa (23,75%) e a contribuição do gerente (11%), o IRC por escalões de PME e a derrama municipal. O lucro que resta pode ficar na empresa ou sair em dividendos, tributados à taxa liberatória de 28% ou por englobamento de 50% no IRS do sócio. Os custos de constituição e registo entram uma vez, como custo do ano 1.
O método em profundidade
A comparação antiga desta página parava no IRC, e isso chegava para inverter a conclusão: o IRC de 2026 é baixo ao lado do IRS progressivo (15% sobre os primeiros 50.000 € de matéria coletável das PME e 19% no excedente), mas a sociedade ainda tem de pagar ao sócio. Um salário de gerente suporta 34,75% de TSU somada entre empresa e gerente, mais a retenção pela tabela oficial de IRS, e os dividendos pagam 28% à saída ou entram a 50% no englobamento. Somando as duas camadas, a sociedade só vence quando a faturação e a margem são altas, quando há lucros para reinvestir dentro da empresa, ou quando o sócio não precisa de levantar tudo o que a empresa ganha. O ENI, em contrapartida, responde com o património pessoal e o coeficiente presume despesas que podem não existir.
Outro exemplo calculado
Com 60.000 € de faturação em serviços e estratégia de só dividendos, sem salário de gerente: o ENI deixa 41.117,71 € líquidos no ano (IRS de 9.894,29 € e Segurança Social de 8.988,00 €). A unipessoal apura lucro de 46.000,00 €, paga 6.900,00 € de IRC e pode distribuir 39.100,00 €; por englobamento, o imposto sobre os dividendos é de 2.212,93 €, muito abaixo dos 10.948,00 € da taxa liberatória de 28%, e chegam ao sócio 36.887,07 €. Mesmo sem salário de gerente, a sociedade perde por 4.230,64 € neste cenário.
Erros comuns
- Comparar o IRS do ENI apenas com o IRC da sociedade, esquecendo o custo de tirar o dinheiro da empresa.
- Fixar um salário de gerente alto sem fazer a conta à TSU de 23,75% da empresa somada aos 11% do gerente.
- Esquecer a contabilidade organizada obrigatória, a IES e os custos de registo na conta da sociedade.
- Assumir que os dividendos a 28% são sempre a pior via: com englobamento de apenas 50%, o imposto efetivo pode ser muito menor, como no segundo exemplo calculado.
Dicas práticas
Simule pelo menos três cenários de salário do gerente (baixo, o que realmente precisa por mês, e zero com só dividendos) antes de decidir: é essa variável, e não a taxa de IRC, que mais move o ponto de cruzamento entre as duas formas.
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O ponto de cruzamento não é um número mágico
Diz-se muitas vezes que a partir de certa faturação compensa abrir sociedade. A realidade é que o cruzamento depende da margem: atividades com poucas despesas sofrem no ENI porque o coeficiente presume despesas que não existem; atividades com muitas despesas reais sofrem na sociedade apenas pelos custos fixos de estrutura. Esta página permite ver o seu cruzamento, com a sua margem: varie a faturação mantendo a percentagem de despesas e observe onde as linhas se encontram. Depois confirme com um contabilista, porque a remuneração do sócio pode mover esse ponto milhares de euros.
Responsabilidade: a variável que não aparece no imposto
Se a atividade envolve contratos grandes, produtos com risco, prazos de garantia ou crédito a fornecedores, a responsabilidade ilimitada do ENI pode custar infinitamente mais do que qualquer poupança fiscal: responde a casa, o carro e as poupanças. A sociedade unipessoal separa patrimónios, embora bancos e senhorios peçam frequentemente garantias pessoais que anulam parte dessa proteção nos financiamentos concretos. A decisão de forma jurídica deve pesar este risco antes da otimização fiscal.
Transição e timing
Mudar de ENI para sociedade a meio do ano tem efeitos em IVA, em retenções, em contratos e em clientes, e costuma planear-se para o início de um ano fiscal. Há ainda efeitos em subsídios, em histórico bancário e em concursos que valorizam anos de atividade da pessoa coletiva. Se o comparador mostrar vantagem clara para a sociedade na sua faturação esperada, o passo seguinte não é constituir já: é uma simulação completa com contabilista, incluindo remuneração do sócio, e um calendário de transição.
A remuneração do sócio: a peça que falta à comparação
Nenhuma comparação entre ENI e sociedade está completa sem decidir como o sócio se paga na sociedade: salário de gerente com TSU e IRS próprios, distribuição de dividendos tributados, ou uma mistura dos dois. Cada escolha move milhares de euros entre o lado da empresa e o lado pessoal e altera o ponto de cruzamento que esta página esboça. Ao levar os resultados daqui a um contabilista, leve também três cenários de remuneração do sócio para simular, porque é normalmente aí, e não na taxa de IRC, que a decisão final se ganha. Registe ainda os custos anuais de contabilidade organizada e de cumprimento da sociedade, para comparar custos totais e não apenas impostos.
Perguntas frequentes
Funciona no navegador, sem registo. Introduza os valores pedidos, carregue em Calcular e leia o resultado como estimativa. O método está explicado nesta página, na secção Como funciona.
Não. É uma estimativa para planear e comparar. Para valores fiscais e apoios, confirme sempre na Autoridade Tributária e Aduaneira, na Segurança Social, no IHRU ou com um profissional, consoante o tema.
Não. A ferramenta é gratuita e não pede registo. Se estiver a tratar de ficheiros, o processamento indicado é feito no navegador.
Porque comparava o IRS e a Segurança Social do ENI apenas com o IRC sobre o lucro, sem contar o custo de pagar ao sócio. Com o salário do gerente, a TSU e os dividendos incluídos, como nesta versão, o vencedor muda em muitos cenários de faturação média.
Não. A taxa liberatória é de 28%, mas o sócio pode optar pelo englobamento, em que apenas 50% dos dividendos somam ao rendimento coletável e são tributados aos escalões progressivos. Em rendimentos moderados, o englobamento sai muito mais barato; a página compara as duas vias quando escolhe a opção automática.
Não há um valor universal: depende da margem de despesas, do salário que o sócio precisa de levantar e de quanto lucro fica dentro da empresa. Com despesas de 20% e salário de gerente de 1.500 €, nos exemplos de 40.000 € e 60.000 € desta página o ENI ainda vence; a sociedade tende a ganhar com faturação e margem altas e com lucros reinvestidos.
A gerência pode ser não remunerada, mas sem salário não há contribuições como gerente nem rendimento da categoria A. Nesta página, a estratégia de só dividendos mostra essa via: todo o lucro sai depois do IRC, tributado à taxa liberatória de 28% ou por englobamento de 50%.
É um imposto municipal que incide sobre o lucro tributável das empresas, com taxa definida por cada município até ao máximo de 1,5%. Muitos municípios aplicam taxa zero ou reduzida às PME; confirme a taxa do concelho da sede da sociedade antes de simular.
Em regra, sim: a responsabilidade do sócio limita-se ao capital social e às garantias pessoais que prestar, enquanto o ENI responde pelas dívidas da atividade com todo o seu património. Essa proteção não entra na conta fiscal desta página, mas pode decidir a escolha em atividades com risco.
Sim, é uma transição comum quando a faturação cresce. Tem custos de constituição, registo e contabilidade e efeitos fiscais no ano da mudança, pelo que deve ser simulada com os números previstos para o ano seguinte e validada por um contabilista certificado.